Depois do último post, leio agora, atrasado, que o domingo passado, em pleno Novembro, bateu o recorde do ano no que diz respeito ao número de incêndios registados em Portugal: 391 fogos ou fogachos.
Aconteceu antes da carga de água que caiu logo na madrugada de segunda-feira, mas isto anda mesmo tudo trocado. Se não fazemos nada, qualquer dia acaba-se.
22 de novembro de 2007
19 de novembro de 2007
Adivinha quem voltou
Finalmente, o Inverno... Depois de vários dias seguidos de céu azul e Sol imenso, eis que chega o tempo cinzento, a chuva e o frio.
Dormi a noite de sábado no sopé da serra, no centro do País. Às 2h36 da madrugada de domingo, lá estava de nariz no ar pronto para ver a anunciada chuva de estrelas. Durou pouco, pelo menos para mim.
Ainda me deslumbrei com um ou outro risco no firmamento, mas o frio era tanto e os agasalhos tão parcos que voltei presto para o quentinho da casa, onde a chama da lareira e os aquecedores a gás e eléctricos reinavam a seu bel-prazer.
Curioso, fui ao carro ver a temperatura ambiente: -3º! Safa! E parece que a repentina febre gélida vai continuar por mais alguns dias...
Estranho foi voltar ao bólide, no dia seguinte, e ver o termómetro subir até aos 13º, passando pelo... -0º.
Do mesmo género desta do desorientado mostrador electrónico, só me recordo de uma brilhante tirada de um dos comentadores futebolísticos cá da praça durante o Mundial de 1994, disputado nos Estados Unidos, em pleno Verão, debaixo de canícula insuportável apenas para gáudio das audiências televisivas europeias:
- (...) e está uma humidade relativa muito superior a 100 por cento!
Já no domingo, a seguir ao almoço, com o astro maior a aquecer as almas, um dos dois cafés da aldeia encontrava-se repleto de gente - homens, entenda-se, que a mulher é para ficar em casa e aquilo é lá lugar para formosas damas.
Os habitantes locais, menos boçais do que o especialista da bola em pontapés na inteligência e na gramática, confirmaram a novidade: este sábado e a quarta-feira anterior foram os dias mais frios dos últimos tempos.
Dormi a noite de sábado no sopé da serra, no centro do País. Às 2h36 da madrugada de domingo, lá estava de nariz no ar pronto para ver a anunciada chuva de estrelas. Durou pouco, pelo menos para mim.
Ainda me deslumbrei com um ou outro risco no firmamento, mas o frio era tanto e os agasalhos tão parcos que voltei presto para o quentinho da casa, onde a chama da lareira e os aquecedores a gás e eléctricos reinavam a seu bel-prazer.
Curioso, fui ao carro ver a temperatura ambiente: -3º! Safa! E parece que a repentina febre gélida vai continuar por mais alguns dias...
Estranho foi voltar ao bólide, no dia seguinte, e ver o termómetro subir até aos 13º, passando pelo... -0º.
Do mesmo género desta do desorientado mostrador electrónico, só me recordo de uma brilhante tirada de um dos comentadores futebolísticos cá da praça durante o Mundial de 1994, disputado nos Estados Unidos, em pleno Verão, debaixo de canícula insuportável apenas para gáudio das audiências televisivas europeias:
- (...) e está uma humidade relativa muito superior a 100 por cento!
Já no domingo, a seguir ao almoço, com o astro maior a aquecer as almas, um dos dois cafés da aldeia encontrava-se repleto de gente - homens, entenda-se, que a mulher é para ficar em casa e aquilo é lá lugar para formosas damas.
Os habitantes locais, menos boçais do que o especialista da bola em pontapés na inteligência e na gramática, confirmaram a novidade: este sábado e a quarta-feira anterior foram os dias mais frios dos últimos tempos.
12 de novembro de 2007
Portugal, Um Retrato Social
Este é um retrato do nosso país. Um retrato da sociedade contemporânea. É um retrato de grupo: dos portugueses e dos estrangeiros que vivem connosco.É um retrato de Portugal e dos Portugueses de hoje, que melhor se compreendem se olharmos para o passado, para os últimos trinta ou quarenta anos.
1º Episódio - Gente diferente: Quem somos, quantos somos e onde vivemos.
Os portugueses são hoje muito diferentes do que eram há trinta anos. Vivem e trabalham de outro modo. Mas sentem pertencer ao mesmo país dos nossos avós. É o resultado da história e da memória que cria um património comum. Nascem em melhores condições, mas nascem menos. Vivem mais tempo. Têm famílias mais pequenas. Os idosos vivem cada vez mais sós.
Nota: Da sinopse do documentário, da autoria do sociólogo António Barreto e da realizadora Joana Pontes, cujos sete DVD's podem ser comprados às segundas-feiras com o jornal Público ou por inteiro nas lojas FNAC. Perdi a exibição na RTP, há uns meses, e por isso comprei hoje o primeiro volume da colecção!
9 de novembro de 2007
A lhéngua que resiste
Encostada a Espanha e dividida desta pelo rio que lhe dá o nome, Miranda do Douro vive entre o apelo do país vizinho e o isolamento provocado pela interioridade.Mesmo assim, persiste em manter e respeitar a tradição da cultura local. Disso são exemplos os Pauliteiros, o grupo de música tradicional Galandum Galundaina e o mirandês, a segunda língua oficial de Portugal, cujo estatuto foi reconhecido em 1999.
Leio no Nordeste, semanário regional de informação - pelo menos assim se apresenta -, que o mirandês ganha adeptos, pois 450 alunos do ensino básico de Miranda do Douro e Sendim escolheram-no como disciplina de opção. O facto levou mesmo a Direcção Regional de Educação Norte (DREN), tão em voga nos últimos tempos pelas razões erradas, a recrutar, pela primeira vez, três professores para leccionarem aquela língua nas escolas da zona.
A Associação da Língua Mirandesa luta por não a deixar morrer. Há algum tempo, os falantes viram coroados os intentos com a edição dos primeiros álbuns de Astérix, l Goulés em lhéngua mirandesa. Não é difícil ouvi-la pelas ruas do centro histórico e as próprias placas com os nomes das ruas estão escritas em mirandês.
Desde há algum tempo, a língua ganhou espaço nobre na imprensa com a crónica que Amadeu Ferreira, homem das Terras de Miranda e actualmente vice-presidente da Comissão dos Mercados e Valores Mobiliários, escreve mensalmente no jornal Público.
Condenado ao desaparecimento está o pólo de Miranda do Douro da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), conta ainda outro pasquim. Como qualquer local que albergue estudantes, a terra viu surgir nos últimos anos inúmeros estabelecimentos – são visíveis vários bares e pontos de acesso à Internet, por exemplo – para satisfazer as exigências das novas gentes que por ali aportam. Mas a situação vai alterar-se nos próximos anos.
Devido a uma decisão tomada em Junho, o Senado da UTAD decidiu acabar com as duas licenciaturas leccionadas naquela extensão universitária – Serviço Social e Antropologia Ligada ao Desenvolvimento –, ficando ambas a definhar enquanto houver alunos a frequentá-las. Como tal, o presente ano lectivo já não estreou qualquer caloiro.
Miranda, outrora rival de Braga, sede de bispado, residência do bispo, cónegos e outras autoridades eclesiásticas, bem como militares e civis, sobreviveu à explosão do paiol do castelo que, a 8 de Maio de 1762, precipitou a decadência do burgo, por isso terá força suficiente para resistir a novas e mais modernas contrariedades.
7 de novembro de 2007
Diva à solta
Rufus Wainwright entrou no palco do Coliseu dos Recreios às 21h15 em ponto, tal como indicava o bilhete, embora ainda com metade da plateia de lugares sentados vazia. Confesso que desde logo me surpreendeu. Normalmente, quem chega a horas vê-se sempre obrigado a esperar pelos retardatários, situação que, no caso do público português, acontece em todo o tipo de eventos e, na maioria das vezes, é abusiva e irritante. Desta vez cheguei bem cedinho.
Falou sempre na sua voz efeminada de homossexual assumido, brincou com o público, contou histórias e piadas, fez jus ao epíteto de verdadeiro entertainer. Mudou de roupa duas vezes durante o show de apresentação do mais recente álbum, Release the Stars. Surgiu de fato cor-de-rosa claro, voltou para a segunda parte vestido de tirolês - meias altas, calções a imitar jardineiras e camisa - e regressou para a ponta final de robe branco vestido, a esconder a curta minissaia preta e os collants negros, ao jeito de diva de cabaret, sapatos de salto alto e tudo.
Acompanhado por uma banda de sete elementos, incluindo um trio de sopros composto por saxofones/flautas, trompete e trompa, o músico canadiano, de 34 anos, ora ao piano, ora na guitarra acústica, desfilou um rol de canções sóbrias e melodiosas numa encenação quase perfeita que durou duas horas e meia - acabou cinco minutos depois da meia-noite e teve 20 de intervalo pelo meio.
Pontos altos da etapa inicial foram Cigarettes and Chocolate Milk e Poses, tocadas a solo ao piano, Malushka, música tradicional irlandesa apenas acompanhada pelos metais e contrabaixo e cantada sem amplificação. Depois, duas canções de Judy Garland - que fez furor na primeira metade do século XX - incluídas num CD e DVD cuja saída está prevista para Dezembro, em que repete o último espectáculo da actriz e cantora, mãe de Liza Minnelli, no Carnegie Hall, de Nova Iorque, em 1961, bem como a teatralidade musicada, cantada e dançada, com os seus próprios músicos, na apoteótica parte final.
Naquele seu timbre característico, um pouco nasalado, a capacidade vocal de Rufus, surpreendentemente límpida e cristalina durante todo o concerto, ecoou sem mácula pelos recantos da mais emblemática sala de espectáculos da capital. Em breve irá descansar do desgaste das digressões e dedicar-se a compor uma ópera em 2008. Só podia.
Falou sempre na sua voz efeminada de homossexual assumido, brincou com o público, contou histórias e piadas, fez jus ao epíteto de verdadeiro entertainer. Mudou de roupa duas vezes durante o show de apresentação do mais recente álbum, Release the Stars. Surgiu de fato cor-de-rosa claro, voltou para a segunda parte vestido de tirolês - meias altas, calções a imitar jardineiras e camisa - e regressou para a ponta final de robe branco vestido, a esconder a curta minissaia preta e os collants negros, ao jeito de diva de cabaret, sapatos de salto alto e tudo.
Acompanhado por uma banda de sete elementos, incluindo um trio de sopros composto por saxofones/flautas, trompete e trompa, o músico canadiano, de 34 anos, ora ao piano, ora na guitarra acústica, desfilou um rol de canções sóbrias e melodiosas numa encenação quase perfeita que durou duas horas e meia - acabou cinco minutos depois da meia-noite e teve 20 de intervalo pelo meio.
Pontos altos da etapa inicial foram Cigarettes and Chocolate Milk e Poses, tocadas a solo ao piano, Malushka, música tradicional irlandesa apenas acompanhada pelos metais e contrabaixo e cantada sem amplificação. Depois, duas canções de Judy Garland - que fez furor na primeira metade do século XX - incluídas num CD e DVD cuja saída está prevista para Dezembro, em que repete o último espectáculo da actriz e cantora, mãe de Liza Minnelli, no Carnegie Hall, de Nova Iorque, em 1961, bem como a teatralidade musicada, cantada e dançada, com os seus próprios músicos, na apoteótica parte final.
Naquele seu timbre característico, um pouco nasalado, a capacidade vocal de Rufus, surpreendentemente límpida e cristalina durante todo o concerto, ecoou sem mácula pelos recantos da mais emblemática sala de espectáculos da capital. Em breve irá descansar do desgaste das digressões e dedicar-se a compor uma ópera em 2008. Só podia.
6 de novembro de 2007
Eu vou!
Rufus WainwrightWorld's Greatest Entertainer
In person, Coliseum, Lisbon, 6 November
For lastest details go to rufuswainwright.com or myspace.com/rufuswainwright.
Nota: O álbum cuja capa reproduzo, Poses, de 2001, é um dos melhores discos que já ouvi!
2 de novembro de 2007
Páginas tantas ou tantas páginas?
Caso não tivessem os compradores da edição desta sexta-feira do jornal Público notado logo no peso, o matutino sublinhou a cena com um destaque no cimo da primeira página:
HOJE 236 páginas
O número assusta, mas os meus são outros. Senão vejamos:
Caderno principal, 44
Economia, 24
Inimigo Público, 12
Y, 72
Mundo à Sexta (novo gratuito em colaboração com A Bola), 32
Ranking - Exames do ensino básico e secundário, 64
Se a estes juntamos as 92 do n.º18 da revista País Positivo, encarte distribuído igualmente grátis com o jornal, perfaz a linda soma de 340!
HOJE 236 páginas
O número assusta, mas os meus são outros. Senão vejamos:
Caderno principal, 44
Economia, 24
Inimigo Público, 12
Y, 72
Mundo à Sexta (novo gratuito em colaboração com A Bola), 32
Ranking - Exames do ensino básico e secundário, 64
Se a estes juntamos as 92 do n.º18 da revista País Positivo, encarte distribuído igualmente grátis com o jornal, perfaz a linda soma de 340!
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