O belo casalinho chegou adiantado à sessão e, perante as profusas madames perfumadas de vestido de gala e os gentlemen aprumadinhos de fato e gravata, tomou os respectivos lugares na plateia do Teatro São Carlos para ver As Bodas de Fígaro, do Mozart.
Enquanto esperava pelo início da comédia amorosa de enganos, e sem qualquer pejo, antes pleno de orgulho, ele pôs-se pomposamente de perna cruzada a ler o jornal A Bola - a cultura de elite e a leitura do povo a conviverem sadiamente debaixo do mesmo esplendoroso tecto.
7 de maio de 2010
15 de março de 2010
Lost in Translation
Recém-arrebatado dos braços de Morfeu, após noite bem regada, desloca-se qual autómato cambaleante até à casa-de-banho ainda com olhos remelosos, antes das habituais abluções matinais (mesmo passando já do meio-dia). Sem os óculos que normalmente o ajudam a enxergar melhor o mundo que o rodeia, consulta abstraidamente o molho desorganizado de literatura pousado em cima do bidé mas, ao invés do título “créer pour bébé” escrito na capa duma revista francesa, julga ter lido, em português, "crer para beber".
4 de março de 2010
Nomes e apelidos
(Ou de como, finalmente, já não aparece destacada a fotografia do Jonah Falcon em pelota quando se acede a este blogue!)Depois de muita persuasão e críticas elogiosas, lá fui experimentar o caffè latte da Starbucks, no Chiado. Ao contrário de muitos, confesso não sentir especial apreço pela irritante técnica, em voga naquele estabelecimento, segundo a qual se deve tratar os clientes pelo respectivo nome e fazê-lo várias vezes no espaço de micronanosegundos – antes, durante e depois de estes fazerem os respectivos pedidos.
– Boa noite, o que vai tomar?
– Queria um latte, por favor.
– E como se chama?
– … [nome].
– Um latte para o [nome]. Mais alguma coisa [nome]?
– Não!
– Obrigado [nome], volte sempre [nome].
(Momentos depois… quando chega o latte)
– Um latte para o [nome].
– Obrigado.
– [nome], se quiser tem ali açúcar e coberturas…
Nem me posso queixar muito. Conheço gente de determinada empresa cujo nome provocaria, certamente, enorme burburinho numa simples ida àquela loja, pois responde por Anatide, Estaline e Querubim, só para citar os nomes mais prosaicos. A estranheza de Possidónio [Cachapa], Desidério [Murcho] e Onésimo [Teotónio de Almeida] não levou estes professores/escritores a optar por encontrar pseudónimo a assinar os seus saborosos textos, mas curiosa é a história relacionada com o apelido de outro português ilustre, José Saramago, contada pelo próprio em As Pequenas Memórias.
Segundo o Prémio Nobel da Literatura, Saramago não era apelido paterno, mas sim a alcunha por que a família era conhecida na aldeia: “(…) indo o meu pai a declarar no Registo Civil da Golegã o nascimento do seu segundo filho, sucedeu que o funcionário (chamava-se ele Silvino) estava bêbado (por despeito, disso o acusaria sempre meu pai), e que, sob os efeitos do álcool e sem que ninguém se tivesse apercebido da onomástica fraude, decidiu, por sua conta e risco, acrescentar Saramago ao lacónico nome José de Sousa que meu pai pretendia que eu fosse. (…) graças a uma intervenção por todas as mostras divina, refiro-me, claro está, a Baco, deus do vinho e daqueles que se excedem em bebê-lo, não precisei de inventar um pseudónimo para, futuro havendo, assinar os meus livros. Sorte, grande sorte minha, foi não ter nascido em qualquer das famílias da Azinhaga que, naquele tempo e por muitos anos mais, tiveram de arrastar as obscenas alcunhas de Pichatada, Curruto e Caralhana (…)”.
Mas o que é um nome? Para os judeus assunto de enorme importância, sem dúvida, mas também o seria para o emigrante alemão nos Estados Unidos, nascido em 1904, que tem nome de baptismo para cada letra do alfabeto, o último dos quais, impronunciável para nós humildes falantes da língua de Camões, o da família: Adolph Blaine Charles David Earl Frederick Gerald Hubert Irvin John Kenneth Lloyd Martin Nero Oliver Paul Quincy Randolph Sherman Thomas Uncas Victor William Xerxes Yancy Zeus Wolfeschlegelsteinhausenbergerdorff.
E, quanto ao latte, é bom e reconfortante, nomeadamente nos dias mais frios!
13 de janeiro de 2010
Big penis unemployed
À primeira vista, Jonah Falcon é apenas mais um número. Desempregado e a morar com a mãe, é um dos 20 por cento de americanos em idade activa sem trabalho. No entanto, Falcon tem algo que nenhum outro homem possui: o maior pénis do mundo.Desde que em 1999 apareceu no documentário Private Dicks: Men Exposed, sobre homens com órgãos genitais de grandes dimensões – no seu caso 24 centímetros em descanso e 34 em erecção, segundo o El Mundo – e a sua história saiu na Rolling Stone em Maio de 2003, complementado com a presença no The Howard Stern Show em Setembro de 2006, o original Mr. Big, nascido em Brooklin, Nova Iorque, há 39 anos, tem lutado para arranjar um emprego fixo e encontra-se actualmente em casa a viver com a progenitora.
Falcon trabalhava numa empresa de videojogos e também como actor, tendo tido curtas aparições em séries como Melrose Place, Law & Order e Sex and the City. Mas numa recente entrevista à Sphere, o detentor da maior espingarda de carne falou de como sobrevive “entre empregos” devido à má situação económica. E apesar de estar talhado para ter carreira retumbante na indústria pornográfica, afirma não querer fazer filmes para adultos, porque, se o fizesse, “ninguém me levava a sério. Ninguém”.
Suportar tamanha cruz deve ser duro fardo e fico nauseado só de pensar na quantidade de sangue que precisará de direccionar ao local para alçar o mastro, isto sem falar na dor que pode provocar ao tentar entrar na gruta secreta das fêmeas. A inveja nunca foi pecado mortal de que padecesse e por isso confesso até sentir alguma pena do senhor, que, como eu, também está ligado à rede social da moda, o Facebook. Afinal, eu trabalho e há muito tempo cortei o cordão umbilical com a minha origem.
Nota: Traduzido e adaptado de The Huffington Post, juntamente com El Mundo, Rolling Stone e Sphere.
Fotografia: Mary Ellen Mark/Rolling Stone (Jonah Falcon na casa-de-banho do seu apartamento de Nova Iorque, em 2003)
7 de janeiro de 2010
Memórias da cave
Poucos dias antes do Natal ardeu o prédio cuja cave albergava o Hot Club de Portugal e a notícia trouxe-me à memória boas lembranças. Frequentei durante algum tempo a Escola da Jazz situada mesmo por cima (nos andares chamuscados) e recordo com saudosismo aquele lugar esconso e o pátio traseiro ao ar livre, paredes meias com o Parque Mayer e janela aberta para o Jardim Botânico.Sempre foi habitual ver os músicos que vinham tocar a Lisboa passar pelo mítico espaço, nem que fosse para conversar com os congéneres locais e proporcionar aos felizardos a inevitável e ansiada jam session. Sem contar com outras infindáveis horas de são convívio, lembro particularmente três ocasiões que tive (juntamente com outras testemunhas) a felicidade de presenciar, sempre apertado, muitas vezes empoleirado nas escadas ou sentado à frente, de pernas cruzadas no chão, mesmo em cima dos artistas, sequioso de aprender e não perder pitada do que faziam:
1. Nesses tempos em que a oferta de diversão nocturna não era tão grande como agora, costumava lá ir beber uma cerveja à noite. Numa delas, assim que comecei a descer as escadas de ferro, reconheci imediatamente a música que soava lá em baixo, onde um excêntrico rapaz de cabelo despenteado tocava violino, acompanhado por contrabaixo, piano e bateria.
Tratava-se de Nigel Kennedy, violinista inglês muito em moda pelo disco As Quatro Estações, de Vivaldi, editado em 1989. Provavelmente estava em Portugal a promovê-lo, portanto terá acontecido por volta dessa altura. A melodia que saía do instrumento era, nem mais, nem menos, do que o All Blues, de Miles Davis – um dos meus trechos preferidos de um dos meus discos predilectos de sempre, Kind of Blue (1959).
2. Noutra vez, pude ver o excelente concerto do trompetista americano Freddie Hubbard, falecido em Dezembro de 2008, por ocasião de um festival de jazz organizado pela Câmara Municipal de Lisboa no Teatro São Luiz, nos primeiros tempos de Jorge Sampaio ou João Soares à frente da edilidade, a tocar, entre outros, com os portugueses Bernardo Sassetti, Pedro Moreira, Bernardo Moreira.
3. E recordo ainda a figura longilínea do realizador alemão Wim Wenders aquando das filmagens de Lisbon Story (1994), cuja banda sonora é da autoria dos Madredeus, a conversar animada e anonimamente ao fundo, perto do bar, de pé, mas ligeiramente de pescoço dobrado para caber naquela parte do covil e não bater com a cabeça no baixo tecto.
Por favor, deixem que os acordes de jazz voltem a soar no lendário número 39 da Praça da Alegria!
Nota: Não sei que é o autor da bela foto, para lhe poder dar o devido crédito, mas eu saquei-a do blogue Jazz no País do Improviso.
5 de janeiro de 2010
True Blood
Definitivamente, os vampiros estão na moda. Em Espanha começou ontem a dar a segunda série de True Blood na televisão, em Portugal a RTP estreia hoje a primeira pela noite dentro.
Dizia o El País: "True blood es otra muestra del poderío creativo de la mejor televisión trabajando a plena potencia. Basta revisar el material original: los libros de Charlaine Harris [Southern Vampires no original] son pobrísimos, unidimensionales, descaradamente adolescentes. Por el contrario, la versión de HBO tiene personajes carnosos, densidad argumental y múltiples lecturas. Ovación para Alan Ball, [argumentista] también responsable de A dos metros bajo tierra [Sete Palmos Debaixo de Terra] y de American beauty."
Parece a saga Twilight, de Stephenie Meyer: pobre literatura, mais apetecível no ecrã.
Dizia o El País: "True blood es otra muestra del poderío creativo de la mejor televisión trabajando a plena potencia. Basta revisar el material original: los libros de Charlaine Harris [Southern Vampires no original] son pobrísimos, unidimensionales, descaradamente adolescentes. Por el contrario, la versión de HBO tiene personajes carnosos, densidad argumental y múltiples lecturas. Ovación para Alan Ball, [argumentista] también responsable de A dos metros bajo tierra [Sete Palmos Debaixo de Terra] y de American beauty."
Parece a saga Twilight, de Stephenie Meyer: pobre literatura, mais apetecível no ecrã.
23 de dezembro de 2009
A lista
Ou o cabaz literário de Natal resultante do postado anterior, além do excitante e instrutivo Cozinho a Dobrar e Congelo:
A Ira de Deus, Edward Paice
A Sombra do que Fomos, Luis Sepúlveda
Barroco Tropical, José Eduardo Agualusa
Caim, José Saramago
Cemitério de Pianos, José Luís Peixoto
Jesusalém, Mia Couto
O Segredo de Cibele, Juliet Marillier
O Símbolo Perdido, Dan Brown
A ler:
A Lâmpada de Aladino, Luis Sepúlveda
O Espião de D. João II, Deana Barroqueiro
Irresistíveis (novos, a preço de segunda mão):
Deixem Passar o Homem Invisível, Rui Cardoso Martins (5€)
Depois de Morrer Aconteceram-me Muitas Coisas, Ricardo Adolfo (7,5€)
Desejados:
A Ilha, Giani Stuparich
A Morte de Bunny Munro, Nick Cave
Invisível, Paul Auster
O Mundo Branco do Rapaz-Coelho, Possidónio Cachapa
Os Espiões, Luis Fernando Verissimo
2666, Roberto Bolaño
Saber Perder, David Trueba
Trilogia Millennium de Stieg Larsson
A Ira de Deus, Edward Paice
A Sombra do que Fomos, Luis Sepúlveda
Barroco Tropical, José Eduardo Agualusa
Caim, José Saramago
Cemitério de Pianos, José Luís Peixoto
Jesusalém, Mia Couto
O Segredo de Cibele, Juliet Marillier
O Símbolo Perdido, Dan Brown
A ler:
A Lâmpada de Aladino, Luis Sepúlveda
O Espião de D. João II, Deana Barroqueiro
Irresistíveis (novos, a preço de segunda mão):
Deixem Passar o Homem Invisível, Rui Cardoso Martins (5€)
Depois de Morrer Aconteceram-me Muitas Coisas, Ricardo Adolfo (7,5€)
Desejados:
A Ilha, Giani Stuparich
A Morte de Bunny Munro, Nick Cave
Invisível, Paul Auster
O Mundo Branco do Rapaz-Coelho, Possidónio Cachapa
Os Espiões, Luis Fernando Verissimo
2666, Roberto Bolaño
Saber Perder, David Trueba
Trilogia Millennium de Stieg Larsson
7 de dezembro de 2009
Importa-se de repetir?
Como habitualmente, Dezembro, por ser o último do ano, é o mês para gastar 150 euros na compra de livros “técnicos”, gentilmente oferecidos pela empresa. Neste caso, porque também têm ciência, abrangeram o romance histórico, a ficção, a fantasia e… a culinária.
Ora, depois de aturada pesquisa, ela lá encontrou o título que andava à procura para poder poupar algum tempo na cozinha.
Cercámos a funcionária do balcão e eu perguntei:
- Queria saber se tem o livro Cozinho a Dobrar e Gongelo?
A coitada da criatura esboçou um leve sorriso pudico, matreiro e, depois de pedir delicadamente para repetir, respondeu:
- Nem vos vou dizer o que percebi…
Ninguém conseguiu evitar a gargalhada. Sem ofensa para os adeptos da modalidade não é difícil saber o que terá entendido a rapariga. Eu disse aquilo tão rápido e de tal maneira cortando o som à última sílaba (situação em que os portugueses são exímios) que deve ter soado qualquer coisa como "cuzinho a dobrar e com gel"…
Ora, depois de aturada pesquisa, ela lá encontrou o título que andava à procura para poder poupar algum tempo na cozinha.
Cercámos a funcionária do balcão e eu perguntei:
- Queria saber se tem o livro Cozinho a Dobrar e Gongelo?
A coitada da criatura esboçou um leve sorriso pudico, matreiro e, depois de pedir delicadamente para repetir, respondeu:
- Nem vos vou dizer o que percebi…
Ninguém conseguiu evitar a gargalhada. Sem ofensa para os adeptos da modalidade não é difícil saber o que terá entendido a rapariga. Eu disse aquilo tão rápido e de tal maneira cortando o som à última sílaba (situação em que os portugueses são exímios) que deve ter soado qualquer coisa como "cuzinho a dobrar e com gel"…
1 de dezembro de 2009
O feriado religioso
Como acontecia de quando em vez naquela empresa, Javier, responsável ibérico da organização e natural de Madrid, telefonou a pedir tudo-e-mais-alguma-coisa completamente a despropósito. Lá fora, as nuvens carregadas do céu irromperam num pranto pardacento como o Outono invernal.
– Nunca mais é feriado, lamentou ela num grito mudo, bufando por cima da mão que tapava o bocal do aparelho para não ser ouvida. Do lado de cá da linha, o rosto da interlocutora, cujo carácter primava pela serenidade e discrição, exasperava num desatino de fazer dó, a tentar explicar que as coisas não podiam, nem deviam, ser feitas assim.
– Então envia-me isso amanhã logo cedo!, exigiu ele lá do meio da península.
– Amanhã é feriado aqui em Portugal, por isso só na quarta-feira.
Conformado, quis saber mais e peguntou:
– Ai sim? E o que é se festeja?
Após alguns segundos de hesitação, preferiu não lançar mais achas naquela fogueira e, lembrando-se do imberbe mimado que, séculos atrás, os tinha colocado naquela embaraçosa situação, arremessou:
– Acho que é religioso…
A mão apaziguadora da igreja calou o outro lado e, vencido, desligou.
– Nunca mais é feriado, lamentou ela num grito mudo, bufando por cima da mão que tapava o bocal do aparelho para não ser ouvida. Do lado de cá da linha, o rosto da interlocutora, cujo carácter primava pela serenidade e discrição, exasperava num desatino de fazer dó, a tentar explicar que as coisas não podiam, nem deviam, ser feitas assim.
– Então envia-me isso amanhã logo cedo!, exigiu ele lá do meio da península.
– Amanhã é feriado aqui em Portugal, por isso só na quarta-feira.
Conformado, quis saber mais e peguntou:
– Ai sim? E o que é se festeja?
Após alguns segundos de hesitação, preferiu não lançar mais achas naquela fogueira e, lembrando-se do imberbe mimado que, séculos atrás, os tinha colocado naquela embaraçosa situação, arremessou:
– Acho que é religioso…
A mão apaziguadora da igreja calou o outro lado e, vencido, desligou.
25 de novembro de 2009
20 de novembro de 2009
Descoberta
Uma equipa de cientistas do Centro de Genoma da Universidade de Washington, nos Estados Unidos, conseguiu sequenciar o complexo genoma do milho.
O estudo sobre o cereal veio publicado hoje na revista Science e noutras publicações da especialidade, e nele se afirma que o dito tem 32 mil genes em apenas 10 cromossomas, enquanto os humanos apresentam 20 mil em 23.
Quando comer corn flakes ao pequeno-almoço lembrar-me-ei sempre desta descoberta e farei a correspondente vénia!
Em 2007, chegara-se já à conclusão que os macacos partilhavam 97,5 por centro dos genes com os humanos. Havia dúvidas?
O estudo sobre o cereal veio publicado hoje na revista Science e noutras publicações da especialidade, e nele se afirma que o dito tem 32 mil genes em apenas 10 cromossomas, enquanto os humanos apresentam 20 mil em 23.
Quando comer corn flakes ao pequeno-almoço lembrar-me-ei sempre desta descoberta e farei a correspondente vénia!
Em 2007, chegara-se já à conclusão que os macacos partilhavam 97,5 por centro dos genes com os humanos. Havia dúvidas?
19 de novembro de 2009
13 de novembro de 2009
Masturbação, a bem da nação!
"El placer está en tus manos" é o nome duma campanha publicitária – no valor de 14 mil euros e que integra cartazes, folhetos, divulgação através da Internet e sessões de esclarecimento – na qual a Junta da Extremadura, em Espanha, incita a juventude da região à masturbação. Como era de esperar quando se trata de assuntos do foro interno, a polémica instalou-se, conforme conta o Periodista Digital, nome aliás bem a propósito.Há uns anos, ainda na era pré-Net, telemóvel, pager e demais tecnologias de ponta, as Páginas Amarelas apelavam ao mesmo objectivo de forma encapotada e davam-nos um conselho: "Vá pelos seus dedos". Mais recentemente, o leite Matinal, qual Narciso, enveredou também por este caminho ao perguntar: "Se eu não gostar de mim, quem gostará?".
Na coluna semanal que escreve no jornal i, a sexóloga Marta Crawford referiu há tempos, para quem ainda não sabe, que "masturbar significa acariciar, estimular ou esfregar os genitais (ou outra parte do corpo) com as mãos (ou objecto)" e que "a masturbação é um acto natural e saudável, e só deixa de o ser quando passa a ser obsessivo e repetitivo, e quando inibe o individuo de ter outros comportamentos na direcção do outro."
Acrescentou ainda: "A autoestimulação promove a libertação da tensão sexual, reduz o stresse, promove o prazer sexual e íntimo, prepara o indivíduo para o sexo vaginal, ou oral, promove a gratificação sexual sem penetração, alivia as dores menstruais, induz o sono, fortalece a tonicidade muscular de toda a zona pélvica, aumenta o fluxo sanguíneo a toda a zona genital, estimula a produção de endorfinas e melhora oxigenação do metabolismo, cria uma sensação de bem-estar, permite o tratamento de disfunções sexuais, etc.".
Por isso, toca a pôr mãos (ou os objectos) à obra e várias vezes ao dia. Afinal, como diz Woddy Allen, "masturbar-se é fazer amor com a pessoa de quem mais se gosta".
Nota: O título deste postado é duma bela canção dos Ena Pá 2000 e, tendo em conta que os petizes de hoje são os homens e as mulheres de amanhã, e queremo-los(las) sadios(as), parece-me perfeitamente adequado.
12 de novembro de 2009
A História é redonda como uma bola
Os memoráveis acontecimentos de Berlim (do postado em baixo) deram-se na noite de 9 de Novembro de 1989, na qual muitos dos habitantes da cidade e germânicos orientais acompanhavam ansiosos, em directo pela televisão, o clássico da Taça da outra Alemanha, a Federal, numa partida em que o Estugarda cilindrou o Bayern por 3-0.
Treinava a equipa de Munique um tal de Jupp Heynckes, ilustre teutónico que, mais tarde, passou duas épocas no Benfica (entre 1999 e 2001) sem se quedar nos anais do clube, a não ser por sido com ele ao leme que os "encarnados" averbaram a maior derrota de sempre nas competições europeias.
A goleada de 7-0 infligida pelo Celta de Vigo, na Galiza, onde, numa manifestação de claro fervor clubístico, estiveram cerca de dez mil benfiquistas – entre muita gente minha conhecida esteve uma pessoa frequentadora deste e doutros blogues cujo nome me abstenho de divulgar –, deixou mossa e Heynckes saiu pouco tempo depois sem honra nem glória, mas sem necessidade de ser corrido a tiro.
Por incrível que possa ter sido, dados os antecedentes e a sequência de acontecimentos, também nessa gloriosa noite de Berlim que fez ruir todo o regime ditatorial não foi preciso descarregar chumbada. Aliás, assim de repente, situação semelhante a esta, e de importância comparável, apenas me lembro da Revolução de 25 de Abril de 1974, que deitou abaixo 48 anos de ditadura militar em Portugal.
Pouco antes disso, numa domingueira tarde de 31 de Março, Marcello Caetano aparecera de surpresa no Estádio José Alvalade – onde foi efusivamente aplaudido de pé pela turba que enchia o recinto dos "leões" – para assistir ao 5-3 aplicado pelas "águias" ao eterno rival de Lisboa. Em vão para os visitantes, diga-se, pois o Sporting sagrou-se campeão nacional no final dessa época de 1973/74.
O argentino Héctor Yazalde bisou e Nené respondeu na mesma moeda, numa equipa do Benfica onde pontificavam Humberto Coelho, Toni, António Simões, Jordão e Vítor Baptista, entre outros craques de renome. Logo após, a boa campanha europeia do Sporting na Taça das Taças terminou abruptamente nas meias-finais às mãos do Magdeburgo, precisamente da República Democrática da Alemanha.
Os "verde-e-brancos" empataram a um golo a primeira mão, realizada em Lisboa, tendo sucumbido depois por 2-1 na viagem a terras alemãs. Este encontro aconteceu a 24 de Abril de 1974, véspera do Dia da Liberdade, momentos antes de Paulo de Carvalho entoar os versos da canção E Depois do Adeus, a senha da revolução e, quem sabe, algum prenúncio também da eliminação sportinguista.
Na Grande Enciclopédia dos Europeus de Futebol, do Diário de Notícias, obra ímpar na língua de Camões sobre a história do desporto-rei editada em 2004, conta-se um episódio curioso, de como o Sporting falhou, literalmente, o derrube da ditadura pátria: "No regresso de Magdeburgo, com o Aeroporto de Lisboa fechado, o Sporting teve de viajar de autocarro desde Madrid, mas em Badajoz encontrou a fronteira fechada. Só a custo, o presidente leonino, João Rocha, conseguiu que a equipa entrasse finalmente em Portugal, 48 horas depois de ter saído da Alemanha Oriental."
Treinava a equipa de Munique um tal de Jupp Heynckes, ilustre teutónico que, mais tarde, passou duas épocas no Benfica (entre 1999 e 2001) sem se quedar nos anais do clube, a não ser por sido com ele ao leme que os "encarnados" averbaram a maior derrota de sempre nas competições europeias.
A goleada de 7-0 infligida pelo Celta de Vigo, na Galiza, onde, numa manifestação de claro fervor clubístico, estiveram cerca de dez mil benfiquistas – entre muita gente minha conhecida esteve uma pessoa frequentadora deste e doutros blogues cujo nome me abstenho de divulgar –, deixou mossa e Heynckes saiu pouco tempo depois sem honra nem glória, mas sem necessidade de ser corrido a tiro.
Por incrível que possa ter sido, dados os antecedentes e a sequência de acontecimentos, também nessa gloriosa noite de Berlim que fez ruir todo o regime ditatorial não foi preciso descarregar chumbada. Aliás, assim de repente, situação semelhante a esta, e de importância comparável, apenas me lembro da Revolução de 25 de Abril de 1974, que deitou abaixo 48 anos de ditadura militar em Portugal.
Pouco antes disso, numa domingueira tarde de 31 de Março, Marcello Caetano aparecera de surpresa no Estádio José Alvalade – onde foi efusivamente aplaudido de pé pela turba que enchia o recinto dos "leões" – para assistir ao 5-3 aplicado pelas "águias" ao eterno rival de Lisboa. Em vão para os visitantes, diga-se, pois o Sporting sagrou-se campeão nacional no final dessa época de 1973/74.
O argentino Héctor Yazalde bisou e Nené respondeu na mesma moeda, numa equipa do Benfica onde pontificavam Humberto Coelho, Toni, António Simões, Jordão e Vítor Baptista, entre outros craques de renome. Logo após, a boa campanha europeia do Sporting na Taça das Taças terminou abruptamente nas meias-finais às mãos do Magdeburgo, precisamente da República Democrática da Alemanha.
Os "verde-e-brancos" empataram a um golo a primeira mão, realizada em Lisboa, tendo sucumbido depois por 2-1 na viagem a terras alemãs. Este encontro aconteceu a 24 de Abril de 1974, véspera do Dia da Liberdade, momentos antes de Paulo de Carvalho entoar os versos da canção E Depois do Adeus, a senha da revolução e, quem sabe, algum prenúncio também da eliminação sportinguista.
Na Grande Enciclopédia dos Europeus de Futebol, do Diário de Notícias, obra ímpar na língua de Camões sobre a história do desporto-rei editada em 2004, conta-se um episódio curioso, de como o Sporting falhou, literalmente, o derrube da ditadura pátria: "No regresso de Magdeburgo, com o Aeroporto de Lisboa fechado, o Sporting teve de viajar de autocarro desde Madrid, mas em Badajoz encontrou a fronteira fechada. Só a custo, o presidente leonino, João Rocha, conseguiu que a equipa entrasse finalmente em Portugal, 48 horas depois de ter saído da Alemanha Oriental."
10 de novembro de 2009
Dois filmes a (re)ver...

...no 20º aniversário da queda do Muro de Berlim: Adeus Lenine! (Goodbye Lenin!) e As Vidas dos Outros (Das Leben der Anderen; The Life of Others).
Ou de como uma simples falha de comunicação do então responsável pelas relações com os media do Partido Socialista da República Democrática da Alemanha, Günter Schabowski, ao responder precipitadamente a uma pergunta dos jornalistas sobre as novas medidas relativas à concessão de vistos e passaportes de visitas ao Ocidente, com embargo pelo menos até às quatro da madrugada seguinte – resumidamente, a possibilidade de todos os cidadãos do Leste poderem passar livremente de um lado para o outro –, impeliu em poucos segundos a queda da parede de betão armado que dividia a cidade de Berlim ao meio há 28 anos, forçando pouco depois, naturalmente, a abertura de todas as fronteiras entre as duas Alemanhas.
Ou de como uma simples falha de comunicação do então responsável pelas relações com os media do Partido Socialista da República Democrática da Alemanha, Günter Schabowski, ao responder precipitadamente a uma pergunta dos jornalistas sobre as novas medidas relativas à concessão de vistos e passaportes de visitas ao Ocidente, com embargo pelo menos até às quatro da madrugada seguinte – resumidamente, a possibilidade de todos os cidadãos do Leste poderem passar livremente de um lado para o outro –, impeliu em poucos segundos a queda da parede de betão armado que dividia a cidade de Berlim ao meio há 28 anos, forçando pouco depois, naturalmente, a abertura de todas as fronteiras entre as duas Alemanhas.
9 de novembro de 2009
Sempre a propósito
- Em resumo, qual é a sua opinião sobre Portugal?
- Um país geralmente corrompido, em que aqueles mesmos que sofrem não se indignam por sofrer (...)
Eça de Queiroz, Uma Campanha Alegre, LIII, Janeiro de 1872
A passagem é repetida mas nunca é demais...
- Um país geralmente corrompido, em que aqueles mesmos que sofrem não se indignam por sofrer (...)
Eça de Queiroz, Uma Campanha Alegre, LIII, Janeiro de 1872
A passagem é repetida mas nunca é demais...
5 de novembro de 2009
Já faltou mais…
Na noite de domingo passado, a polícia de choque viu-se obrigada a disparar balas de borracha para o ar na tentativa de desmobilizar a orda de “leões” contestatários após mais um empate do Sporting no Estádio José Alvalade – 1-1 frente ao Marítimo –, o quarto jogo seguido sem ganhar na Liga e que deixou a equipa a 13 pontos da liderança à nona jornada.
No início da década de 1990, no auge da desagregação da Jugoslávia, os adeptos do Estrela Vermelha, de Belgrado – cuja acção viria a revelar-se fundamental na revitalização do nacionalismo na Sérvia –, interromperam um treino do seu clube munidos de bastões, paus e cassetetes. Espancaram três dos jogadores e justificaram o acto dizendo que não podiam tolerar mais a “falta de empenho no relvado”.
Os conturbados conflitos nos Balcãs levaram mais tarde a UEFA a substituir a apurada Jugoslávia pela eliminada Dinamarca no Campeonato da Europa de 1992 e, de jogadores em férias, a repescada selecção surpreendeu a concorrência e sagrou-se campeã com todo o mérito.
Um pouco de cultura e história do futebol nunca fez mal a ninguém...
No início da década de 1990, no auge da desagregação da Jugoslávia, os adeptos do Estrela Vermelha, de Belgrado – cuja acção viria a revelar-se fundamental na revitalização do nacionalismo na Sérvia –, interromperam um treino do seu clube munidos de bastões, paus e cassetetes. Espancaram três dos jogadores e justificaram o acto dizendo que não podiam tolerar mais a “falta de empenho no relvado”.
Os conturbados conflitos nos Balcãs levaram mais tarde a UEFA a substituir a apurada Jugoslávia pela eliminada Dinamarca no Campeonato da Europa de 1992 e, de jogadores em férias, a repescada selecção surpreendeu a concorrência e sagrou-se campeã com todo o mérito.
Um pouco de cultura e história do futebol nunca fez mal a ninguém...
29 de outubro de 2009
Nós pelos outros
Numa cena do tocante filme Séraphine, de Martin Provost – cujo tema versa o extraordinário percurso de vida de Séraphine de Senlis (1864-1942) desde dona de casa até se transformar em pintora e mergulhar na loucura –, a protagonista, depois de ver o seu trabalho descoberto pelo coleccionador e crítico de arte alemão Wilhelm Uhde, pergunta ao mecenas para quando a prometida exposição em Paris dos seus quadros.
Perante pragmática Séraphine, alienada de qualquer informação sobre o que acontecia no mundo para além do alcance dos seus olhos, Uhde – o primeiro a reunir obras de uns tais Pablo Picasso e Henri Rousseau –, responde cabisbaixo que rebentou uma crise financeira nos Estados Unidos. Adianta estar a chegar à Europa, de maneira que não será aquele o momento mais indicado para tal aventura, pois nesta altura os compradores de arte estão retraídos e talvez seja melhor esperar algum tempo para ver o que acontece. Uhde referia-se à Grande Depressão, período de recessão económica iniciada pelo colapso do mercado de acções da Bolsa de Valores de Nova Iorque em Outubro de 1929, precisamente há 80 anos.
Entretanto, a crise parece ter voltado no século XXI à escala planetária e com os mesmo heróis. Atrelados à Europa e vulneráveis ao que se passa nos Estados Unidos, "cá se vai andando com a cabeça entre as orelhas" a ver, impávidos e serenos, o Estado a avalizar pedidos de empréstimo dos bancos e financeiros prevaricadores. Atentemos numa passagem de um pequeno volume ao qual estou a deitar os olhos a vulso. Em 1879, Maria Rattazzi, aristocrata nascida na Irlanda mas de origem gaulesa, publicou Portugal a Vol d'Oiseau. Portugais et Portugaises (Portugal de Relance, na tradução da Antígona), um livro "delicioso" sobre Portugal, nas palavras de Antero de Quental, depois de "dois Invernos passados a desfrutar os literatos de Lisboa".
Nessa carta enviada ao amigo João Lobo de Moura, Antero acrescenta: "Imagine uma parisiense descrevendo ao vivo estes mirmidões!". A dita publicação, como é de imaginar, descandeou as mais variadas reacções nas almas lusitanas e, entre seguidores e contras, ficaram famosas as querelas epistolares da dama com Camilo Castelo Branco, cuja obra Senhora Rattazzi (1880) surge em resposta ao atrevido postulado da ingrata visitante e foi recentemente reeditada pela Calçada das Letras em versão fac-similada.
Provavelmente, muita da informação de que dispunha Rattazzi para esmiucar os portugueses de então foi-lhe passada por alguém próximo, mas, por muito enviesada que lhe chegasse aos ouvidos ou aos olhos, o que referiu há 130 anos não deixa de estar surpreendente actual. Tal como, aliás, no palavreado corrosivo de Eça de Queirós:
(...) «Por fim do ano de 1878, o Banco Ultramarino expiou (…) as leviandades de uma péssima administração e de o abuso de um guarda-livros, de um exército de empregados e de directores que meteram a mão nas algibeiras. No dia imediato ao do desastre, o tesouro público punha à disposição do Banco Ultramarino a soma de dois milhões de francos, o dobro dos desvios de fundos. (…)
Porquê?... Por que razão?... Como é que os dinheiros do Estado têm que ver com os dinheiros dos accionistas, de entre os quais alguns grandes e minúsculos empregados são uns gatunos? E com que direito aqueles que administram os dinheiros públicos, aos quais as cortes consignaram destino especial, podem aplicá-los em socorrer um banco em falência?...». (...)
Lapidar, não?
Perante pragmática Séraphine, alienada de qualquer informação sobre o que acontecia no mundo para além do alcance dos seus olhos, Uhde – o primeiro a reunir obras de uns tais Pablo Picasso e Henri Rousseau –, responde cabisbaixo que rebentou uma crise financeira nos Estados Unidos. Adianta estar a chegar à Europa, de maneira que não será aquele o momento mais indicado para tal aventura, pois nesta altura os compradores de arte estão retraídos e talvez seja melhor esperar algum tempo para ver o que acontece. Uhde referia-se à Grande Depressão, período de recessão económica iniciada pelo colapso do mercado de acções da Bolsa de Valores de Nova Iorque em Outubro de 1929, precisamente há 80 anos.
Entretanto, a crise parece ter voltado no século XXI à escala planetária e com os mesmo heróis. Atrelados à Europa e vulneráveis ao que se passa nos Estados Unidos, "cá se vai andando com a cabeça entre as orelhas" a ver, impávidos e serenos, o Estado a avalizar pedidos de empréstimo dos bancos e financeiros prevaricadores. Atentemos numa passagem de um pequeno volume ao qual estou a deitar os olhos a vulso. Em 1879, Maria Rattazzi, aristocrata nascida na Irlanda mas de origem gaulesa, publicou Portugal a Vol d'Oiseau. Portugais et Portugaises (Portugal de Relance, na tradução da Antígona), um livro "delicioso" sobre Portugal, nas palavras de Antero de Quental, depois de "dois Invernos passados a desfrutar os literatos de Lisboa".
Nessa carta enviada ao amigo João Lobo de Moura, Antero acrescenta: "Imagine uma parisiense descrevendo ao vivo estes mirmidões!". A dita publicação, como é de imaginar, descandeou as mais variadas reacções nas almas lusitanas e, entre seguidores e contras, ficaram famosas as querelas epistolares da dama com Camilo Castelo Branco, cuja obra Senhora Rattazzi (1880) surge em resposta ao atrevido postulado da ingrata visitante e foi recentemente reeditada pela Calçada das Letras em versão fac-similada.
Provavelmente, muita da informação de que dispunha Rattazzi para esmiucar os portugueses de então foi-lhe passada por alguém próximo, mas, por muito enviesada que lhe chegasse aos ouvidos ou aos olhos, o que referiu há 130 anos não deixa de estar surpreendente actual. Tal como, aliás, no palavreado corrosivo de Eça de Queirós:
(...) «Por fim do ano de 1878, o Banco Ultramarino expiou (…) as leviandades de uma péssima administração e de o abuso de um guarda-livros, de um exército de empregados e de directores que meteram a mão nas algibeiras. No dia imediato ao do desastre, o tesouro público punha à disposição do Banco Ultramarino a soma de dois milhões de francos, o dobro dos desvios de fundos. (…)
Porquê?... Por que razão?... Como é que os dinheiros do Estado têm que ver com os dinheiros dos accionistas, de entre os quais alguns grandes e minúsculos empregados são uns gatunos? E com que direito aqueles que administram os dinheiros públicos, aos quais as cortes consignaram destino especial, podem aplicá-los em socorrer um banco em falência?...». (...)
Lapidar, não?
16 de outubro de 2009
The Scope
É toda escrita em inglês e nem parece portuguesa. Prima pela sobriedade e bom gosto, além de ter excelentes textos e fotografias.O primeiro número desta revista sobre viagens, ambiente, geopolítica, arte e cultura saiu em Outubro e nela pode ler-se, por exemplo, uma entrevista de Emma Thomson a Hugh Laurie, o Dr. House, seu antigo namorado dos tempos da faculdade.
Saber mais aqui e no artigo da edição on-line do jornal Público.
14 de outubro de 2009
O Espião de D. João II
A Ésquilo, Edições e Multimédia acaba de publicar O Espião de D. João II, o mais recente romance histórico de Deana Barroqueiro, referência na área do romance histórico e autora do best-seller D. Sebastião e o Vidente, cujo lançamento decorrerá, em parceria com o El Corte Inglês, esta quinta-feira, 15 de Outubro, pelas 19h30m. Contará com a apresentação de Guilherme d’Oliveira Martins, presidente do Tribunal de Contas.O formidável Espião de D. João II possuía qualidades e talentos comparáveis aos de um James Bond e Indiana Jones, reunidos num só homem. A memória fotográfica, uma capacidade espantosa para aprender línguas, a arte do disfarce para assumir as mais diversas identidades, a mestria no manejo de todas as armas do seu tempo e, sobretudo, uma imensa coragem e espírito de sacrifício, aliados ao culto cavaleiresco da mulher e do amor que o fascinavam, fazem dele uma personagem histórica única e inspiradora.
El-rei D. João II escolhia-o para as missões mais secretas, certo que qualquer outro falharia. Talvez esse secretismo seja a razão do seu nome de família e do seu rosto terem ficado, para sempre, na penumbra.
Em 1487, Pêro da Covilhã foi enviado de Portugal, ao mesmo tempo que Bartolomeu Dias, a descobrir por terra, aquilo que o navegador ia demandar por mar: uma rota para as especiarias da Índia e notícias do encoberto Preste João. Ao espião esperava-o uma longa peregrinação de cerca de seis anos pelas regiões do Mar Vermelho e costas do Índico até Calecut e, também, pela Pérsia, África Oriental, Arábia e Etiópia, descobrindo povos e culturas em lugares hostis, cujos costumes lhe eram completamente estranhos.
Na pele de um enigmático mercador do Al-Andalus, o Escudeiro-guerreiro do Príncipe Perfeito realizou proezas admiráveis que causaram espanto no mundo do seu tempo. Neste romance fascinante, Deana Barroqueiro convida-nos a seguir o trilho de Pêro da Covilhã na sua fabulosa odisseia recheada de aventuras, amores, conquistas e descobertas inolvidáveis…
Deana Barroqueiro (Prémio Máxima de Literatura – Prémio Especial do Júri com o romance D. Sebastião e o Vidente) é, sem dúvida, uma referência da ficção histórica, em Língua Portuguesa. Este livro, fruto de um rigoroso trabalho de investigação, unindo marcos de grande relevo histórico e uma descrição muito rica dos espaços e personagens, lê-se com fascínio da primeira à última página.
Nota: Texto enviado pela editora.
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