10 de dezembro de 2008
Mais palavras para quê (II)
Ontem a meio da tarde no mesmo sítio: Vítor Constâncio admite, afinal, recessão técnica no final deste mês
Enquanto o Banco de Portugal continuar a ser mero (e fiel) despositário estatístico da nação, então estamos conversados.
Enquanto o Governo continuar a governar, nomeadamente na educação e na saúde, apenas para os números e em função deles, então estamos conversados.
Nota: Parece que vem aí o Natal, mas penso que já vos falei de como abomino esta altura do ano, não? Bom, o melhor é mesmo ficar por aqui para não ferir susceptibilidades... (Valha-nos a felicidade da criançada!)
9 de dezembro de 2008
Mais palavras para quê
Segundo o Correio da Manhã de hoje, «nos primeiros seis meses do ano, antes dos efeitos da crise se fazerem sentir de forma severa, os bancos a operar em Portugal lucraram 1,075 mil milhões de euros, de acordo com o boletim da Associação Portuguesa de Bancos. De Janeiro a Junho as instituições ganharam 5,9 milhões de euros por dia.»
O texto deste Bilhete Postal de Leonor Pinhão, pequena crónica diária (excepto aos domingos) – que não perco – da última página do matutino, é do passado dia 21 de Novembro:
«No final do século XIX, Maria Rattazzi, uma irlandesa casada com um italiano, passou dois Invernos em Portugal. Quando regressou à civilização publicou as suas impressões. A nação ficou ofendidíssima com a estrangeira.
Compreendam porquê neste trecho: "Em 1878, o Banco Ultramarino expiou as leviandades de uma péssima administração e o abuso de um guarda-livros e de um exército de directores. No dia imediato ao desastre, o tesouro público punha à disposição do Banco a soma de dois milhões de francos, o dobro dos desvios do fundo.
Porquê? Por que razão? Como é que os dinheiros do Estado têm que ver com um grupo de accionistas? E com que direito aqueles que administram os dinheiros públicos podem aplicá-los a socorrer um banco em falência?" Espectacular!»
Digam lá se não dá vontade de mandar tudo às urtigas e, por exemplo, passar a não pagar a prestação mensal do crédito da compra da casa, ainda o meu único encargo fixo a nível familiar, aliás, escrupulosamente cumprido! Claro que todos temos culpa nisto, pois aceitamos as regras do jogo muitas vezes sem barafustar, mas pode ser que tenha a mesma sorte do filho de Jardim Gonçalves, fundador do BCP, instituição que lhe perdoou uma dívida de 12 milhões de euros, considerados incobráveis pelo banco – o qual logo se prontificou a negar qualquer suspeita de favorecimento.
A notícia veio a público em Outubro de 2007 e, uns dias depois, perante o mal-estar causado, o pai assumiu o calote do descendente e ficou um pouco mais depauperado. Relembro que se tinham passado três anos, uma vez que o caso remontava a 2004. Se a situação não tivesse sido noticiada pela imprensa, mais uma vez, ninguém saberia de nada. E nem quero imaginar as retaliações que eu iria sofrer caso fosse eu a deixar de pagar... E querem que tenhamos contemplações com gente desta!
Nota: Do livro em causa, Portugal de Relance (Le Portugal à Vol d'Oiseau, 1879), editado no nosso país em 2004, deixo a sinopse da editora Antígona: A princesa Rattazzi (1813-1883), como era designada, foi publicista, romancista, poetisa, autora também de textos dramáticos e tradutora, mas não entrou certamente para a galeria dos autores literários de grande, médio ou pequeno relevo. Todavia em 1879, este livro desencadeou uma verdadeira tempestade em Portugal, na qual intervieram, entre muitos outros, Camilo Castelo Branco, Antero de Quental e Ramalho Ortigão. Espelho da sociedade portuguesa do séc. XIX, nele ainda hoje se reflecte arrebatadamente o país.
3 de dezembro de 2008
António
Há precisamente um ano, entrei numa das papelarias do bairro onde costumo comprar os jornais e as revistas. A dona gere sozinha o estabelecimento e tem sempre por companhia um fanhoso rádio de pilhas. Decerto para assinalar o dia, ouvia-se a música dele em fundo.
- Ah o grande António!, disse eu.
- Gosta?, perguntou ela.
- Bastante! Era genial...
Num assomo de cumplicidade e saudade, a senhora sexagenária, nitidamente à espera de dois dedos de conversa para desenferrujar a língua e libertar a dor na alma, contou-me uma história.
- Sabe, era muito chegada ao António, se calhar das únicas amigas que ele tinha aqui no bairro. Ele podia ser o que lá aquilo que era (impecável definição da sua inclinação sexual para o lado masculino), mas era um amor de pessoa. O cabeleireiro dele [chamado "Prá menina e pró menino"] era mesmo aqui ao virar da esquina [ao fundo da minha rua, a escassos metros do local onde vivo, em plena Baixa da capital - onde está hoje uma loja que já foi tudo e agora é mercearia/drogaria]. Ele aqui na zona só frequentava dois ou três sítios: a minha papelaria, a tasca aqui defronte onde almoçava e a farmácia...
O que sempre me fascinou na figura dele, além do talento, foi a autenticidade e pureza naquilo que fazia e cantava. Ali parecia não haver mentiras, rasteiras, truques, parecia ser tal e qual aquilo que transparecia. E fazem falta mais pessoas assim...
21 de novembro de 2008
A casa assombrada
Passa esta noite na RTP 1, ao início da madrugada de sábado (00h45), o filme Coisa Ruim (2005), realizado pela dupla Tiago Guedes e Frederico Serra, cujo argumento é de Rodrigo Guedes de Carvalho, jornalista da SIC, aspirante a escritor de romances e irmão do primeiro.Nota: O filme é exibido igualmente no TVC 1, disponível apenas para os assinantes deste canal pago da TV Cabo, a partir das 22h35 de quinta-feira, dia 27 de Novembro.
14 de novembro de 2008
11 de novembro de 2008
A não perder!
Em 1998, estive presente na noite da abertura oficial da primeira loja da FNAC em Portugal, no Centro Comercial Colombo, cujo ponto alto foi a actuação do músico sueco Jay Jay Johanson, então na berra depois de ter lançado dois excelentes discos, Whiskey e Tattoo.Dez anos passados, no encerramento das iniciativas fotográficas literárias, cinematográficas e musicais que serviram para assinalar o início da aventura lusitana, a cadeia de lojas francesa – onde gastei literalmente alguns milhares de euros durante esta década – junta na sexta-feira, dia 14 de Novembro, os consagrados Xutos & Pontapés e Clã aos fascinantes Rita Red Shoes, Deolinda e Peixe : Avião.
Ouçam-nos no My Space e aproveitem a boleia para descobrir também o talento, a voz, o piano e a guitarra acústica de Vicente Palma, filho do Jorge!


